Delírio da Alma

Delírio da Alma

Início White Feather Criar Blog Contacta-me
 
Highlight

És Capaz de Guardar Um Segredo?

De Sophie Kinsella. Uma mulher vê-se descoberta nas suas mais mirabolantes mentiras. Viciante e muito divertido!

Nosso Lar - A Vida no Mundo Espiritual

De Francisco C. Xavier. O relato comovente do espírito André Luíz após a sua chegada à espiritualidade.

Crepúsculo - Série Luz e Sombra

De Stephenie Meyer. Uma bela história de amor entre uma humana e um vampiro, uma viagem ao maravilhoso.

O Delírio da Alma

Com alguns traços e palavras se desbrava a profundidade de uma alma...

Vamos viajar?

 

White Feather

A Flor Dourada
Segunda, 05 Julho 2010 10:33
O tempo parou nela. Com a flor na mão, sentia ainda a doçura com que ele a colhera para lha oferecer. As pétalas douradas e imortais brilhavam-lhe nos olhos doces que a cada elogio dele se iluminavam. Quanta saudade tinha dele…
Fechou os olhos pela milionésima vez, envolvida nesse pensamento que a embala tranquila. E tudo se tornou vivo de novo.
Estava sentada no banco de jardim, entretida a bordar uma tira para aplicar numas toalhas que a madrinha lhe dera para o enxoval. Adorava o modo como a agulha invadia o tecido de linho, perfurando-o num pedido de licença silencioso, acariciando-o depois com a linha que suavizava a sua passagem. A cada travessia, um pequeno traço se derramava no tecido cru, e ia somando o desenho, como gotas que se juntam e dão origem a um oceano. Bordar era para ela um prazer, uma dança das mãos delicadas.
Já tinha visto aquele rapaz várias vezes ali por perto. A primeira vez que o viu, foi mero acaso. Levantou os olhos ao escutar as gargalhadas de uns gaiatos que atravessaram o jardim a correr, e reparou no rapaz sentado na beira do passeio, do outro lado da rua. Compenetrado num mundo muito seu, ele desenhava. Naquela primeira vez, ela resolveu não lhe dar muita atenção.
Contudo, tal como a presença dela, diária, no banco de jardim, a presença dele foi-se fazendo notar. Todos os dias, ele desenhava, e por várias vezes, pareceu-lhe que os olhos dele tocaram os dela. Corava terrivelmente, e nesses dias não levantava mais a cabeça do bordado.
Um dia, ele sentou-se no lado da rua em que ficava o jardim. Segurando a flor nas mãos trémulas, ela deixou cair uma lágrima na recordação. Era como se tivesse sido hoje.
Acabada de dar um ponto no desenho de um pássaro, os olhos dela buscaram ansiosos a esquina do costume. Num só segundo, sentiu-se disparar da desilusão para o espanto. Ele estava no passeio que ladeava o jardim, virado para ela, como sempre, a desenhar. Nesse mesmo segundo, ele olhava para ela, e sorriu. Sem pensar, ela corou num sorriso disfarçado, e continuou o bordado.
Vários dias se passaram, e a distância do rapaz foi diminuindo lentamente. Sentava-se no chão, com o bloco sobre as pernas, e o lápis de carvão na mão, e olhava para ela, enquanto ela bordava. Junto com o passar dos dias, o sorriso dela foi ganhando um lugar fixo no seu rosto, sentindo o calor do olhar dele a queimar-lhe a pele alva e pura.
Aquele encontro silencioso tornou-se um grande ponto do dia, determinado para ambos. E quando a mãe dela lhe disse que teriam de viajar até à aldeia de onde vinham, para rever os negócios, o coração dela caiu-lhe aos pés. Precisava daquele momento no jardim, mesmo nada sabendo do alvo do seu sorriso. Era por ele que sorria, era para ele.
Sentou-se com a flor dourada na mão. A dor da distância vivida naquela época palpitou-lhe na alma como se fosse hoje, como se naquele mesmo momento ela fosse arrancada rumo à aldeia e ele ficasse abandonado, sem nada saber do seu sorriso. Suspirou na lembrança, e as frágeis pétalas estremeceram com o ar exalado da sua boca.
A semana que passara na aldeia ardeu-lhe no coração como brasas perfurando um tecido delicado. A saudade daquele estranho familiar toldava-lhe o pensamento, não lhe dando sossego tempo algum. Questionava-se o que pensaria ele da sua ausência. Questionava-se se ele se importaria. E se quando regressasse, ele não mais estaria no jardim.
Tentou disfarçar o tempo todo, para que os pais não se dessem conta de que algo a apoquentava. Mas nos momentos só, durante o dia caminhava por entre as flores do campo, sonhando-o ao lado dela, a trocarem algumas palavras pela primeira vez, e durante a noite, sonhava com o toque da mão dele na dela.
Nas flores via o perfume do jardim de um amor silencioso, e indagava-se se alguma vez lhe seria dado a conhecer a arte a que ele tanto se dedicava.
E chegou mesmo a desabafar com a prima que vivia na aldeia, contando daquele encontro inocente e magnífico, do qual estava já dependente para ser feliz. A prima, amiga fiel, jurara segredo, e confessara também os seus amores de moça.
O dia em que regressou à cidade foi de festa. Pelo menos dentro dela, pois os pais não poderiam desconfiar de nada, sob pena de a impedirem de sair de casa para ir ao jardim. A viagem de carro foi feita com um sorriso inconsciente nos lábios rosados, com o passar das casas e dos campos diante da janela. Era bom andar de carro, agora que eram vendidos pela primeira vez às pessoas de posse da cidade. O embalo do motor fazia-a sonhar acordada.
Naquele mesmo dia, pediu licença à mãe para ir até ao jardim dar um passeio e matar as saudades das flores. Saiu disparada de casa, tão apressada que se esqueceu de levar o bordado. Nada importava, queria voar, se pudesse, para novamente marcar presença no seu banco.
Chegando lá, sentou-se ofegante, com o coração a bater-lhe na boca. Só então se deu conta de que levava as mãos vazias, e não tinha como disfarçar os seus olhares. Entrelaçou as mãos nervosas, tentando acalmar a ansiedade, ao mesmo tempo que perscrutava a paisagem em busca da figura querida. Mas na ausência dele, a respiração não acalmou.
Os dedos apertaram-se num sufocar tenso, e um nó assomou-lhe à garganta. Não podia ser. O que ela temia não podia ter acontecido. Seria muito cruel, um destino implacável e frio, a visão dele ter-lhe sido arrancada em apenas uma semana de ausência.
Esqueceu a necessidade de disfarçar, e o seu olhar começou a percorrer os cantos e espaços, o passeio, os arbustos, a rua. Ele não podia ter desaparecido! As visitas ao jardim não seriam a mesma coisa, e o bordado perderia toda a cor…
- Pensava que tinha feito algo errado, e te tinha afastado.
A voz ao lado dela sobressaltou-a. E o coração assomou-lhe à cabeça quando viu os olhos dele mais perto do que nunca. O rosto ferveu-lhe de vergonha, e os dedos nervosos apertaram-se até doerem. Ali estava ele, sentado no banco dela, sem o silêncio da timidez.
A pele morena brilhava ao sol, num contraste extremo com a pele dela, branca e delicada. Os cabelos rebeldes espalhavam-se em caracóis negros na cabeça de jovem, e os olhos verdes roubavam a alma dela naqueles segundos.
- Queres ver? – perguntou ele, apontando para o bloco de papel onde há tanto tempo desenhava. – Está pronto, finalmente.
A cabeça dela moveu-se instintivamente, afirmando a sua curiosidade. E quando os seus olhos repousaram no desenho dele, sentiu-se estremecer. No papel branco e tosco, em traços perfeitos de carvão, estava uma composição de várias representações dela. Ela sentada no banco, a bordar, ela olhando o horizonte, ela a sorrir, o seu rosto com tal detalhe que parecia que durante toda a sua vida ele não olhara para nada mais além dos traços dela.
A boca abriu-se-lhe em surpresa, e ele riu-se.
- Espero que não te importes… Não pude resistir, estavas linda. – Pousou a folha no colo dela, e deu-lhe para as mãos a flor dourada. – Quer dizer, és linda.
O sorriso dela rasgou-lhe o rosto vermelho pelo elogio, e o silêncio foi quebrado. Naquele dia, a flor dourada foi guardada religiosamente na gaveta do quarto, para durar para sempre.
De repente, a porta do quarto abriu-se, e ela despertou da recordação. A flor nas suas mãos figurou-se-lhe no seu estado real, seca e com algum pó, apenas uma amostra do esplendor dourado que fora outrora.
- A pensar na vida, Amélia? – disse ele, com um sorriso que lhe iluminava sempre os olhos verdes e fazia esquecer todas as rugas que lhe rabiscavam a pele morena.
E entrando, foi junto dela e abraçou-a, sob o quadro com o desenho do rosto dela, a sorrir, sentada no banco do jardim.


White Feather
4 de Julho 2010

_____________

Texto criado com base na proposta de exercício "Palavras para uma imagem", da Fábrica de Histórias.
 
Liberdade
Segunda, 03 Maio 2010 23:48
Todos os dias eram iguais. Levantava-se antes da luz, quando os últimos pirilampos ainda brilhavam no sossego dos arbustos. Lavava o rosto na bacia de porcelana branca e tosca, com contorno em risco azul e pequenas flores pintadas à mão. A água fria endurecia-lhe as mãos, e despertava-a do sono. Em seguida, vestia a saia castanha, em tecido grosseiro e que lhe pesava na anca, e com o corpete verde cobria a blusa branca, rendada nas mangas. Por fim, punha-se em frente ao espelho, observando o rosto de jovem mulher. Não combinava com as mãos marcadas pelo trabalho da casa. Prendia os cabelos castanhos com os ganchos, e assim estava pronta.
Saiu para a cozinha, enquanto o marido ainda ressonava no quarto. E tal como no dia do casamento, há quatro anos atrás, continuava a achar-se demasiado nova para ser já uma dona de casa. Além de que, na verdade, não amava aquele homem com quem se deitava todos os dias. Mas na aldeia onde vivia, a mulher não tinha direito a grande opinião quanto ao casamento que o pai lhe escolhia.
Contudo, apesar de Maria ter silenciado na expressão verbal, o seu pensamento mantinha-se. Sempre sonhara ir para a cidade, estudar e ser professora da escola primária, como a que tivera e que considerava tão importante por lhe ter ensinado a ler. Imaginava-se a viver num sítio grande, com prédios e jardins cuidados, com carros e pessoas bem vestidas e cultas. A vida dera-lhe a volta, e agora apenas os sonhos viviam nela.
Pegou numa maçã da tigela onde tinha a fruta, em cima do móvel de madeira áspera, e sentou-se à mesa. Tudo era duro na sua casa. Os móveis, o silêncio, o amor do marido. Duro e triste.
O piar do pardal despertou-a dos pensamentos já habituais. Há dois anos que José o capturara e mantivera cativo na gaiola de madeira, dando-lhe todos os dias água fresca e pedaços de maçã cortados por ela. O pardal tinha mais atenção do marido do que ela, o que a seu ver, era um alívio. Já estava habituada.
Mas curiosamente, o pardal parecia gostar mais dela do que de José. Olhava-a, com os olhitos redondos e negros de um universo desconhecido, com um brilho de quem compreende. Quando ela lhe sorriu, ele retribuiu com um novo piar e o agitar das asas.
Maria pegou numa faca, segurando o cabo de madeira com os dedos calejados do cajado e da água com sabão de lavar aa roupa. O sol já ameaçava espreitar pela pequena janela, cortando a impureza do vidro grosso que protegia o interior da casa do mau tempo. Um fio de ouro tocou ao de leve a mesa, avançando timidamente para a mão dela.
Espetou a faca na maçã, fazendo estalar a pele vermelha num odor suculento. Traçou um golpe certeiro, e em seguida desferiu um outro golpe semelhantemente milimétrico, cortando um gomo. Uma lágrima do fruto caiu-lhe na mão, que ela beijou suavemente.
Animado pelo odor da maçã tentadora, o pardal piou, enquanto saltitava na gaiola.
- É por isso que gostas tanto de mim... - murmurou-lhe Maria, com o gomo na mão. - Dou-te um pouco de alegria dentro da tua prisão, não é?
Ouviu o marido a entrar na cozinha e calou-se. O cheiro da ausência de higiene era o cumprimento matinal, e por muito que tentasse ignorar, o nariz dela insistia em dar-lhe uma leve náusea todas as manhãs. Os rapazes da cidade seriam mais asseados, com certeza.
- Ainda não foste buscar o leite? - inquiriu ele, a voz rude a silenciar o ouro do sol.
- Vou já. - respondeu ela, fitando o gomo da maçã, enquanto lhe retirava com o bico da faca dois caroços.
- Deixa estar, eu vou. - Ele acabou por dizer, num tom de quem não está para discussões. Para José, aquela esposa era um mistério. Quando o pai dela lhe propusera casamento, jurara a pés juntos que ela era sossegada, mas um bom partido como mulher. Que cuidaria da casa com ânimo, e que embora fosse sonhadora, com uma mão firme assentaria na realidade e adoraria o marido como quem adora Deus.
Quatro anos depois, José começava a ter quase a certeza de que fora ludibriado. Aquela mulher tinha defeito, e não lhe encontrava emenda. Era calada, como se dentro da cabeça vivesse num mundo diferente. Fazia as tarefas diárias como uma concha vazia. Mesmo na cama, quando ele a procurava, ela limitava-se a ceder em silêncio, e no fim, virava-se para a parede sem pedir um aconchego sequer. Uma tristeza.
Maria viu-o sair porta fora, e sorriu instintivamente para o pardal. Ao piar dele, percebeu que de algum modo misterioso, ele a compreendia. E naqueles olhinhos redondos e negros, viu o brilho da cidade dos seus sonhos, da vida de mulher feliz.
Pousou a maçã cortada em cima da mesa, aconchegada junto de uma laranja que colhera no dia anterior, ainda com a rama de largar folhas verdes. O sol já inundara a mesa totalmente, dourando-lhe as mãos, a madeira, a fruta e as penas do pardal sorridente. Os olhos caíram-lhe então sobre o balde do leite, que o marido saíra sem levar.
- Aquele idiota esqueceu-se que não pode trazer o leite na algibeira! - comentou com o pardal, com um sorriso irónico. Ele saltitou na gaiola, ansioso pelo gomo da maçã que ainda restava nas mãos dela.
O pensamento iluminou-se-lhe de imediato. Olhou para o relógio, que indicava as 5h30 da matina. O marido não tardaria a voltar em busca do balde.
- Quem diz que não podemos conseguir a nossa liberdade? - murmurou ela para o pardal, enquanto pousava o gomo da maçã diante dele e abria a porta da gaiola. - Só temos de ter uma ajudinha...
Resoluta, levantou-se, e antes de sair pela porta de casa, de balde na mão, em busca do marido e do leite, deixou a janela da cozinha aberta. Pelo menos, alguém seria feliz nesse dia. Mesmo que apenas o testemunhasse com o piar.


White Feather
2 de Maio de 2010

_____________

Texto criado para o exercício "Palavras para uma imagem", da Fábrica de Histórias.
 
O Avô
Domingo, 25 Abril 2010 20:13
Com os seus olhos preto-noite, fitou o espaço universal em seu redor. Tudo era imenso, majestoso, e ao mesmo tempo, alcançável. A cada inspiração do ar nocturno e enregelante da montanha, sentia nos pulmões a estranha certeza de que a eternidade incomensurável estava à distância de um mero fechar de olhos, um lançar-se destemida para o abismo. Longos anos pesavam-lhe nas costas jovens. Nova, sentia-se velha. Como se o seu corpo funcionasse com um eternómetro que lhe garantia a vida eterna das células involuntárias, mas esquecesse a alma cansada e gasta. Sabia a pó, a névoa.
Do alto da paisagem familiarmente distante, acariciava-lhe o rosto a lembrança saudosa da primeira visita à gruta, quente, iluminada e rugosa, de paredes raspadas a braille, desenhadas de estrias sem forma. Ele segurara-lhe a mão temerosa com delicadeza, e a mão dele, grande e forte, matara-lhe a fragilidade. Naquela época, ele era um homem roliço, de músculo vibrante e confiante, respeitado por todos. Era o avô paternal, o guia à construção do bom carácter.
Culto, em tom misterioso ele apresentara-lhe aquela gruta como quem descreve uma filha, amada e querida, nos seus defeitos e virtudes. Com ele, conheceu cada fragmento, estalagtites e estalagmites em labirintos de rocha e alma escorrida. As pequenas lagoas iluminadas pelos raios de sol que se atreviam por fendas perfuradas ao som do vento, inundavam de paz, sonho. Ali o tempo parara. “Aqui tudo é eterno.”, dissera-lhe.
Durante anos, fizeram daquela visita um ritual único. Como uma celebração de fé a um deus da Natureza, trepavam a longa montanha para ver a gruta e os seus novos traços. A cada ano, revelava-se uma fenda mais incrível, um cristal recém-nascido. Tal como a gruta, o avô ganhou novos contornos.
Inundou-se uma vez mais do ar frio da noite, e sentiu-lhe a fisionomia marcada. A idade fizera-o magro, pequeno, sorriso e rugas sábias que lhe emolduravam a boca. Por fora, era outro homem, mas por dentro, ela sabia-o a personificação da gruta: sempre bela, sempre inabalável.
Olhando para o céu escuro tristeza, sentiu uma lágrima traidora descer-lhe pelo rosto, qual alpinista suicida. Abriu a mão para fitar o dedal de porcelana pintado com estrelas. Sacudira-lhe o pó o melhor que fora capaz, esfregando-o na camisola cansada. As estrelas viviam ainda uma cor amistosa, como um dorminhoco que desperta com um sorriso. O dedal parecia agora muito mais pequeno, na sua mão de mulher crescida.
O avô adorava dedais. Escondida, brincava com a colecção dele, criando histórias para cada ilustração delicada. Na altura em que o dedal foi roubado, o favorito do avô, ela pintara aquele dedal branco e oferecera-lho, com estrelas para iluminar o olhar triste que se apoderara dele. Fora o melhor presente que ele já recebera. Amor e inocência ao toque de um dedo.
Numa das viagens, adormeceram-no num saco de cetim e enterraram-no num canto da gruta, marcando o local predilecto dos dois. O avô explicara-lhe que aquele presente ali estaria seguro, a sepultura ideal, e que um dia que a sua velhice terminasse, ela poderia recuperá-lo e tê-lo junto a ela para sempre, pois a sua alma estaria no dedal. Assim, não viveria a preocupação desesperante de o perder.
Agora que fitava o dedal, fresco e delicado na mão suja de terra desiludida, desejava que o avô fosse mais do que uma lembrança no seu coração de menina. A gruta já não fazia sentido para ela. Com os dedos incrédulos, fechara os olhos dele nessa manhã, e fechara-se para a vida. Estava decidida a acompanhá-lo para sempre, em quaisquer descobertas e caminhadas. Até ao fim do mundo. Até ao fim do universo.
Inspirou… Fechou os olhos calmamente, e num voo de libertação, abandonou para o abismo o branco vazio que por esse dia ameaçara dominar a sua alma… E junto com o dedal, voou.


White Feather
27 de Fevereiro 2009
 

White Feather

Cidade: Porto

Cor: Preto

Signo: Carneiro

Paixão: Escrever...

Alguns Favoritos

Fernando Pessoa

Sophie Kinsella

Marian Keyes

Lisa Jewell

Nora Roberts

...


[+]
  • Increase font size
  • Decrease font size
  • Default font size
  • default color
  • blue color
  • green color