De Sophie Kinsella. Uma mulher vê-se descoberta nas suas mais mirabolantes mentiras. Viciante e muito divertido!
De Francisco C. Xavier. O relato comovente do espírito André Luíz após a sua chegada à espiritualidade.
De Stephenie Meyer. Uma bela história de amor entre uma humana e um vampiro, uma viagem ao maravilhoso.Com alguns traços e palavras se desbrava a profundidade de uma alma...
Vamos viajar?
White Feather
| O Jantar de Noivado I |
| Quinta, 15 Outubro 2009 21:15 |
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A campainha sobressalta-me. Nunca pensei que quando este dia chegasse, fosse sentir-me tão nervosa!
- Joaninha, abre a porta, querida! Corro para o forno, e espreito pelo vidro o coq-au-vin que preparei com todo o esmero. Não que me tenha esforçado mais hoje, pois verdade seja dita, os meus cozinhados são sempre um espectáculo. Óptimo, está mesmo como eu queria, rosadinho, com ar bem apetitoso. Corro para a sala de jantar, onde admiro a mesa posta. Sem dúvida, digna de qualquer revista de decoração. Se calhar, devia ter ligado ao pessoal da LUX e pedido para virem tirar umas fotos. Teria imenso nível! Ajeito um último guardanapo dobrado em origami. Os cisnes são sempre uma excelente escolha. Ajeito o meu fato de xadrez eleganterrimo, e vou até à sala de estar, onde o António já está com a Joaninha e o Eduardo, e claro, os pais dele. Expectante mas confiante de que a primeira impressão é a mais importante, abro a porta com um sorriso. Mas assim que lhes ponho a vista em cima, tenho vontade de gritar. A mãe do Eduardo tem... não, não é possível... aproximo-me, hesitante... Mas é mesmo... bigode?! Tento controlar-me, e cumprimento-os com a minha melhor educação. - Sejam bem-vindos! – digo com disfarçada convicção. – o jantar está pronto. Vamos para a mesa? À medida que caminhamos para a sala de jantar, reparo que os sapatos do pai do Eduardo chiam. Rapidamente, o Caracolinho lhe começa a rosnar. Isto ainda vai correr mal. Assim que nos sentamos, posso observá-los melhor. São realmente uma desgraça. Ninguém diria, a julgar pelo Eduardo. Sempre tão bem apessoado, elegante... A mãe veste umas calças estilo saco de batatas (quase podia jurar que são mesmo de serapelheira), e a camisa de folhos lembra-me o Luís de Camões. Mas o melhor mesmo, é aquele cabelo confuso... Nunca pensei que a laca pudesse fazer uma tal obra, como um ninho de cucos implacável, mesmo num tornado! O pai é calado, olhar estrábico fixo na garrafa do vinho. Algo nas minhas entranhas me diz que devem ser bons amigos. Tento em vão puxar um assunto de conversa culto. Mas a D. Carla só me sabe falar dos conteúdos da Maria e das personagens da novela das 5. A Joaninha terá a certeza do que vai fazer?... Finalmente, desisto de tentar uma conversa interessante, e fico somente embasbacada a ver como se atrapalham diante dos meus talheres de prata e do conjunto de copos de cristal. Acabam por comer tudo com o garfo de carne. Até me apetece chorar... Para me consolar, faço questão de usar todos os talheres certos, e os copos também, limpando sempre a boca antes de beber. O Eduardo dá uma pancadinha leve no copo com a faca, e fazemos silêncio. Tenho vontade de despertar deste pesadelo. Ele pede para falar e lembra o motivo deste jantar agradável. Sim, sim... “agradável”! Ouço da sua boca deslindar-se um discurso que não processo no meu cérebro, e imagino os longos e inúmeros jantares que hão-de decorrer após este casamento, se acontecer. Vejo a mãe do Eduardo nas suas toiletes desconexas, e o pai sempre de copo na mão, a balbuciar impropérios acerca dos árbitros de futebol, enquanto solta uns quantos perdigotos para as travessas. As minhas travessas Vista Alegre. A minha coluna arrepia-se. Os cabelos eriçam. O coração dispara. Não posso entender. Não posso aceitar. Não pode ser... Ouço o Eduardo proferir o pedido oficialmente, e os meus olhos esbugalham-se em terror. - NÃO!!! – grito sem me conter. Todos me olham, estupefactos. Engulo em seco. Os olhos do António, inquisidores, queimam-se o rosto. Ele conhece-me. - ...Não querem mais sobremesa? – acabo por murmurar, com um sorriso seco, para em seguida ver o novo anel no dedo da minha Joaninha. White Feather
11 de Fevereiro de 2009 (Curso de Escrita Criativa com Pedro Sena-Lino - Porto) |
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